Detalhe de Imaginário do habitar, 2010.
Fotografia digital.
Impressão jato de tinta sobre papel de bambu.
40x60 cm.
JANAÍNA MIRANDA
(texto para site)
Imaginário do habitar, conjunto de fotografias de Janaína Miranda, está apresentado a partir de uma sequência singular. A série de fotografias nos conduz a uma entrada lateral que nos puxa para o abismo da morada íntima.
Se há um desvio, ele está nas imagens que de tão silenciosas, gritam. Mas nosso desejo de abrir uma fenda para enxergar o outro parece ser maior do que a vergonha de olhar para o que não nos pertence. E, então, olhamos.
Ao passar os olhos pela série de fotos me encanto com as possibilidades de leitura que elas me apresentam: posso correr os olhos por elas, ocidentalmente ou orientalmente, e isso me leva a pensar sobre como as histórias mais interessantes são aquelas em que se permite dar espaço ao direito e ao avesso, como duas faces de uma mesma vida.
As fotografias seguem um caminho em que conceitos desdobram-se em paralelo, mas integrados. Ora surgem como durações (as grandes fotos) que pertencem a uma existência – a árvore, a mulher, as palavras – ora como ínterins no tempo, na consciência e no sensível (as polaróides) – a água, o que está para ser lido, a paixão, o buraco da fechadura, o que ainda não se sabe.
Nesta sequência de imagens me deparo com pequenas certezas: a de que da árvore caída no meio da mata, desconsolada e seca, segue-se o frescor da água e do sol na cabeça do menino. De que na página captada, quase ao final da sequência, está escrito que arte é garantia de sanidade. Afirmação sobre a qual reflito e adiciono, como aquele que participa, vendo: [arte é sanidade porque nos mantém em conexão com o inominável]. A foto em branco.